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Mensagem do Dia:

Mensagem do dia: Quem não se ama não sabe amar ninguém!!
Versículo do dia: "Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim pra chamar justos, mas sim pecadores".

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ecologia e antropologia

            Preservar a natureza, respeitar os ecossistemas e não interferir indevidamente no delicado equilíbrio ambiental, para não comprometer a sobrevivência das espécies... Será apenas exaltação romântica de ambientalistas? Por certo, ninguém ousa mais afirmar isso; o desrespeito à natureza e uma relação inconsequente com o mundo que nos sustenta poderia custar caro. Também nós somos parte dessa natureza e dependemos dela.
            Isso me faz refletir sobre a união estável entre pessoas do mesmo sexo, equiparada pelo STF à união estável entre pessoas de sexos diferentes; a decisão colocou ainda mais em evidência, na opinião pública, as temáticas de homossexualismo e gênero, em discussão um pouco por toda parte. Penso que isso requeira uma reflexão sobre a própria natureza do ser humano e sua sexualidade.
            Parto da antropologia cristã, que procura compreender e explicar o ser humano à luz do desígnio de Deus sobre o homem e a mulher, perceptível pela inteligência a partir da natureza das coisas e da revelação divina, na Sagrada Escritura. O pensamento cristão reconhece dois gêneros complementares - masculino e feminino. O relato bíblico diz, de maneira poética, que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e constata: “homem e mulher Deus os criou” (Gn 1,27). E Deus viu que assim estava bem, muito bom!
            O homem não é, pois, fruto de uma evolução caótica ou de um voluntarismo volúvel, mas do desígnio divino, sábio e bom, perceptível na própria natureza humana: na sua corporeidade, inteligência, vontade e capacidades espirituais, orientadas não apenas para a sobrevivência, mas também para a busca da verdade, do bem e da plenitude do viver. O homem é dotado de liberdade e tem a capacidade de discernir e de decidir-se pelo bem, ou pelo mal; no exercício da liberdade, com responsabilidade, está uma das razões de sua dignidade e grandeza.
            Nem somos, como cantava um de nossos poetas, “esta metamorfose ambulante”, que segue vagando pela vida sem saber quem é, o que quer, para quê vive, por que é aquilo que é; e nem estamos presos a um determinismo cego, acorrentados aos acontecimentos e à ignorância sobre nós mesmos, sem que possamos ser senhores das nossas decisões e ações. Cabe-nos tomar conta de nós mesmos e viver de forma responsável, conforme nossa natureza e dignidade.
            Um aspecto importante desse viver conforme a nossa natureza e dignidade consiste em assumir a própria identidade sexual. Sobre isso há muita confusão na cultura atual; ao invés de ter a identidade sexual como um dado de natureza, com significado e valores próprios, tende-se a ver nela um fenômeno cultural volúvel, uma “construção subjetiva”; cada um lhe daria a orientação ditada pela vontade, sentimentos e gostos pessoais. Nem mesmo a diferenciação sexual física entre o masculino e o feminino é levada a sério; seria apenas um “fato secundário”, quase um adereço descartável no corpo humano, contando mais aquilo que o sujeito decide ser. Identidade sexual seria, pois, uma questão de opção.
            Será que não estamos aqui diante de um tremendo equívoco, apoiado no pressuposto errôneo de que a “natureza humana” não é um dado real, mas algo projetado pelo sujeito, de dentro para fora de si? Nega-se à natureza humana a “objetividade” que se afirma e defende, com razão, para a natureza dos outros seres. Uma consequência dessa confusão, relativa à identidade sexual, é o aumento de comportamentos pouco ou nada definidos, nem masculinos, nem femininos. A “troca de sexo” parece um fato banal, apenas uma intervenção cirúrgica no corpo... Neste contexto, ser heterossexual, homem ou mulher, seria apenas uma entre várias possibilidades e opções quanto à identidade sexual. E se chama “casamento” a união entre pessoas do mesmo sexo! Diante da pressão das circunstâncias, questionar isso, quem ousaria? Seria politicamente incorreto!
            Mas... perguntar é preciso! Assim está bem? Assim vai ficar bem? Que conseqüências isso terá para o futuro? A antropologia cristã afirma que a diferenciação sexual física tem um significado próprio, a ser levado plenamente a sério. A pretensão de mexer na harmonia entre os sexos e de submeter a identidade sexual ao arbítrio da vontade e dos sentimentos, tão influenciáveis por fatores culturais e dinâmicas sócio-educativas (ou deseducativas...), é uma temeridade, que não promete bons frutos.
            A Igreja católica vê com preocupação a crescente distorção sobre a identidade sexual. Antes mesmo de ser uma questão moral, é um problema antropológico. A Igreja não incentiva, não apóia nem justifica qualquer tipo de violência e agressão contra homossexuais, ou quem quer que seja, mas convida a uma séria reflexão. Não é pensável que a natureza tenha errado, ao moldar o ser humano como homem e mulher. Isso tem sentido e finalidade, que é preciso descobrir e acolher, em vez de banalizar.
            A sexualidade qualifica todos os aspectos da pessoa humana, na sua unidade de alma e corpo, e diz respeito à afetividade, à capacidade de amar e procriar, de estabelecer vínculos serenos e altruístas com os demais. Cabe a cada homem e mulher reconhecer e aceitar a própria identidade sexual como um dom e uma missão; as diferenças físicas, morais e espirituais são voltadas para a complementariedade, um bem para as pessoas e para o fecundo convívio social.
            O coração pode ser como um barco desatado; não comandado pela racionalidade, ele é arrastado pelas correntes oportunistas e se rebenta contra os rochedos... Não respeitar a natureza das coisas leva a desastres ambientais e compromete a sustentabilidade da vida. E não é assim, quando se trata da natureza humana.

Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo - SP

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Jesus se identifica com o semeador", destaca Bento XVI na oração do Angelus do último domingo.

            Na oração do Angelus deste domingo, 10, no pátio interno da residência pontifícia de Castel Gandolfo, o papa Bento XVI refletiu a parábola do Semeador. "Jesus se identifica com o semeador, que espalha a boa semente da Palavra de Deus e percebe seus vários efeitos, segundo o tipo de acolhimento ao anúncio", disse o pontífice.
"            Existe aquele que escuta superficialmente a Palavra, mas não a acolhe; aquele que a acolhe, mas não tem constância e perde tudo; aquele que é tomado pelas preocupações e seduções do mundo; e aquele que escuta de forma receptiva como a terra boa: aqui a Palavra dá fruto em abundância" – frisou Bento XVI.
            O mesmo Evangelho deste domingo insiste também no método da pregação de Jesus, ou seja, o uso das parábolas. Porque lhes falas em parábola?, perguntam os discípulos e Jesus responde fazendo a distinção entre eles e a multidão: "aos discípulos, ou seja, aqueles que já optaram por Ele, Jesus pode falar do Reino de Deus abertamente, aos outros, deve anunciá-lo em parábolas, para incentivar a decisão, a conversão do coração.
            As parábolas, por sua natureza pedem um esforço de interpretação, interpelam a mente e a liberdade. No fundo, a verdadeira Parábola de Deus é Jesus, a sua Pessoa que através da humanidade, esconde e ao mesmo tempo revela a divindade. Deste modo Deus não nos obriga a crer Nele, mas nos atrai a Si com a verdade e a bondade de seu Filho encarnado: de fato, o amor respeita sempre a liberdade".
            "Devemos aprender com o grande Patriarca do monaquismo ocidental a dar a Deus o lugar que Lhe cabe, o primeiro lugar, oferecendo a Ele, com a oração da manhã e da noite, as atividades cotidianas", concluiu o papa.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Série "Ser Católico" - Parte 2

Ser Católico é crer em Deus Pai, Filho e Espírito Santo        
       
            Crer é uma resposta obediente, consciente e livre ao apelo de Deus que se revela por amor. Por ser resposta a um apelo, o ato de fé - crer - é base e, ao mesmo tempo, expressão da relação da pessoa, que crê, com Deus que a interpela por amor. É por esse motivo que ao crer, a pessoa realiza o ato mais significativo de sua existência, alcançando a certeza da Verdade e decidindo viver nela (cf. FR 13), ainda que tal certeza não deva ser confundida com uma certeza calculada pela razão. A fé é adesão da vontade e da inteligência à revelação feita por Jesus Cristo, não enquanto apreensão de uma idéia, mas enquanto fruto de uma experiência e de uma existência vivida na relação com Senhor e na obediência à sua vontade.
            É por esse motivo que bem sintetiza o autor da carta aos Hebreus: "A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem" (Hb 11,1); e, também, São Paulo: "caminhamos por meio da fé e não por meio da visão" (2Cor 5,7). Por não se tratar da compreensão de algo que se vê, a fé deve ser compreendida, sobretudo, como adesão ao mistério de Jesus que, com toda a sua vida, revela o rosto do Pai, revelando seus segredos de amor. Penetrar com profundidade este mistério de amor, significa permitir ser preenchido por esta graça que transforma e redime: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo" (Ap 3,20).
            Ser católico é, portanto, crer. Crer em Deus Pai Filho e Espírito Santo a quem nos referimos como a Santíssima Trindade, o mesmo Deus revelado em três pessoas distintas. Ao Pai nos referimos como o Criador, pois por meio de seu amor, criou tudo que existe. Ao filho nos referimos como o Redentor, pois por sua vida, morte e ressurreição fomos resgatados e redimidos do pecado e de todo o mal. Ao Espírito Santo nos referimos como o Santificador, pois ele constrói, anima e santifica a Igreja. Com a sua efusão no dia de Pentecostes é revelada plenamente a Santíssima Trindade (cf. CIC 732).
            Nosso Deus, que é Trindade, é família e nós somos chamados, como membros da Igreja Católica, a fazer parte desta família, a partir do momento em que recebemos o Batismo em nome do Pai, Filho e do Espírito Santo. Ao participarmos da comunidade eclesial, Jesus, Verbo feito homem, continua revelando-nos, hoje, como revelou aos seus apóstolos, o amor do Pai e a graça do Espírito.

sábado, 2 de julho de 2011

Série "Ser Católico" - Parte 1

               Ser Católico é alimentar a fé na fonte da Revelação divina (sagrada Escritura e Tradição) que é esclarecida pelo Magistério da Igreja.
             A fé católica tem sua origem na Revelação divina que se expressa por meio da Sagrada Escritura e da Tradição.
             Por Sagrada Escritura entendemos os 46 livros do Antigo Testamento e os 27 do Novo Testamento, compreendidos como sagrados e inspirados. Eles contêm a Palavra revelada de Deus e são alimento para a nossa fé e conforto espiritual para a nossa caminhada. Alimento e conforto, pois a Palavra não somente nos auxilia quando dela necessitamos ara a evangelização de outras pessoas. De fato, quando e lemos, nós somos os primeiros a sermos evangelizados.
            Por tradição, palavra que significa transmissão, entendemos o processo e o conteúdo da transmissão da Verdade Revelada, proveniente primeiramente do anuncio dos portadores originais da revelação cristã, Jesus Cristo e os apóstolos, continuada, posteriormente, na Igreja, por obra do Espírito Santo.
            Por Magistério da igreja, a palavra magistério significa ensinamento, entendemos o ensinamento do colégio dos Bispos em comunhão com o Papa, bispo de Roma e sucessor de São Pedro, que em nome de Jesus Cristo têm a autoridade de interpretar autenticamente a Palavra de deus, escrita (sagrada Escritura) ou transmitida (tradição) (cf. DV 10). Além disso, o Magistério da Igreja, assistido pelo Espírito Santo, nos orienta, de modo seguro, na vivência de nossa fé, na alegria da esperança e da caridade. Ajuda- nos a compreender que nossa fé não é simplesmente subjetiva e individual. Ela é comunitária, não só por ser partilhada com os outros e vivida em união com eles, mas também por ser dom do Espírito Santo, concedido a todos os que a professam e dão testemunho de Jesus Cristo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dia do Papa - Papa Bento XVI

            É festejando o dia do Papa que hoje vamos conhecer mais o nosso atual Papa, o Benedict XVI. Bento XVI é Papa desde o dia 19 de Abril de 2005. Foi eleito como o 266º Papa com a idade de 78 anos e três dias, sendo o atual Sumo Pontífice da Igreja Católica. Foi eleito para suceder o Papa João Paulo II no conclave de 2005 que terminou no dia 19 de Abril.

Primeira declaração
            Em resposta ao anúncio da eleição, sua primeira declaração ao público, depois de eleito Papa, foi:
"Queridos irmãos e irmãs: Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram a mim, um simples humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o fato de que o Senhor sabe trabalhar e atuar com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio nas vossas orações. Na alegria do Senhor ressuscitado, confiados em sua ajuda permanente, sigamos adiante. O Senhor nos ajudará. Maria, sua santíssima Mãe, está do nosso lado. Obrigado."


Pensamento teológico
            Considerando toda a sua obra literária, as suas atitudes como sacerdote e bispo ao longo da sua vida religiosa, e ainda do que se verifica dos anos passados à frente da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger possui um pensamento católico ortodoxo que, para muitos de seus críticos, é tido como sendo conservador. Bento XVI tem adotado, no seu Pontificado, propostas semelhantes às do seu antecessor relativos à moral e ao dogma católico.
            Na década de 1990 o Cardeal Ratzinger participou da elaboração de documento sobre a concepção humana como sendo o momento da animação. A partir da união do óvulo com o espermatozóide temos uma vida humana perante Deus. Assim, é impossível que a Santa Sé mude sua posição diante das pesquisas com células estaminais (células tronco) embrionárias ou diante do aborto. Na verdade esperava-se que o Papa reafirmasse o Magistério constante da Igreja sobre estes e outros temas da atualidade relacionados com a Moral, a Ética e a Doutrina Social da Igreja, o que de fato ocorreu.