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Mensagem do Dia:

Mensagem do dia: Quem não se ama não sabe amar ninguém!!
Versículo do dia: "Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim pra chamar justos, mas sim pecadores".
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Santa Rita de Cassia, rogai por nós!

Santa Rita de Cássia
Santa Rita de Cássia
Monja Agostiniana
Nascimento1381 em RoccaporenaItália
Morte22 de maio de 1457 (76 anos) em Cássia,Itália
Veneração porIgreja Católica
Beatificação1627Roma por Papa Urbano VIII
Canonização24 de Maio de 1900Roma por Papa Leão XIII
PrincipaltemploBasílica de Santa RitaCássia
Festa litúrgica22 de Maio
AtribuiçõesCrucifixorosas
Padroeiradas causas impossíveis, dos doentes e das mães


      Nasceu na Itália, em Cássia, no ano de 1380. Seu grande desejo era consagrar-se à vida religiosa. Mas, segundo os costumes de seu tempo, ela foi entregue em matrimônio para Paulo Ferdinando.
       Tiveram dois filhos, e ela buscou educá-los na fé e no amor. Porém, eles foram influenciados pelo pai, que antes de se casar se apresentava com uma boa índole, mas depois se mostrou fanfarrão, traidor, entregue aos vícios. E seus filhos o acompanharam.
        Rita então, chorava, orava, intercedia e sempre dava bom exemplo a eles. E passou por um grande sofrimento ao ter o marido assassinado e ao descobrir depois que os dois filhos pensavam em vingar a morte do pai. Com um amor heroico por suas almas, ela suplicou a Deus que os levasse antes que cometessem esse grave pecado. Pouco tempo mais tarde, os dois rapazes morreram depois de preparar-se para o encontro com Deus.
       Sem o marido e filhos, Santa Rita entregou-se à oração, penitência e obras de caridade e tentou ser admitida no Convento Agostiniano em Cássia, fato que foi recusado no início. No entanto, ela não desistiu e manteve-se em oração, pedindo a intercessão de seus três santos patronos – São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolas de Tolentino – e milagrosamente foi aceita no convento. Isso aconteceu por volta de 1441.
       Seu refúgio era Jesus Cristo. A santa de hoje viveu os impossíveis de sua vida se refugiando no Senhor.
      Rita quis ser religiosa. Já era uma esposa santa, tornou-se uma viúva santa e depois uma religiosa exemplar.
       Ela recebeu um estigma na testa, que a fez sofrer muito devido à humilhação que sentia, pois cheirava mal e incomodava os outros. Por isso teve que viver resguardada.
         Morreu com 76 anos, após uma dura enfermidade que a fez padecer por 4 anos.
       Hoje ela intercede pelos impossíveis de nossa vida, pois é conhecida como a “Santa dos Impossíveis”.
Santa Rita de Cássia, rogai por nós!

(Santa Rita é invocada em especial para causas impossíveis)
Ó Poderosa e gloriosa Santa Rita, eis a vossos pés uma alma desamparada que, necessitando de auxílio, a vós recorre com a doce esperança de ser atendida por vós que tem o título de santa dos casos impossíveis e desesperados. Ó cara santa, interessai-vos pela minha causa, intercedei junto a Deus para que me conceda a graça de que tanto necessito (faça o pedido). Não permitais que tenha de me afastar de vossos pés sem ser atendido. Se houver em mim algum obstáculo que me impeça de alcançar a graça que imploro, auxiliai-me para que o afaste. Envolvei o meu pedido em vossos preciosos méritos e apresentai-o a vosso celeste esposo, Jesus, em união com a vossa prece. Ó Santa Rita, eu ponho em vós toda a minha confiança. Por vosso intermédio, espero tranquilamente a graça que vos peço. Santa Rita, advogada dos impossíveis, rogai por nós.

domingo, 6 de maio de 2012

Ministros Extraordinários da Eucaristia

           O Concílio Vaticano II esclareceu que a Igreja, toda ela, em todos seus segmentos, é servidora. Os padre não são os únicos ministros. Notar bem que ministério significa serviço!
         O Ministro Extraordinário da Eucaristia é, na Igreja Católica, um leigo a quem é dada permissão, de forma temporária ou permanente, de distribuir a comunhão aos fiéis, na missa ou noutras circunstâncias, quando não há um ministro ordenado (bispopresbítero ou diácono) que o possa fazer.
           Como o número de sacerdotes, geralmente e em muitos lugares, é insuficiente para atender todas as tarefas que lhe competem, foi instituído o Ministério Extraordinário da Eucaristia, ou da Comunhão, como preferem alguns.
           Na Celebração da Eucaristia, os Ministros da Eucaristia ajudam o padre na distribuição da Comunhão. Eles podem também atender os doentes, levando para eles, em suas casas ou nos hospitais, a santa Comunhão.
           O trabalho pode ser exercido pelos Ministros da Eucaristia é "extraordinário", isto é, não é verdadeiramente próprio. O sacerdote é o ministro extraordinário da Eucaristia. Por causa do grande volume de afazeres, e por causa de existir um número insuficiente de padres e diáconos, foi instituído o "Ministério Extraordinário".
           O mandato para exercer o Ministério Extraordinário da Eucaristia não é permanente. Essa função é temporária. O tempo do mandato deve ser estabelecido pelo bispo. Pode ser renovado, conforme as circunstâncias. Mas é bom que haja alternância de ministros para que ninguém se sinta melhor que os outros. A responsabilidade é muito grande e o ministro deve ser uma pessoa, homem ou mulher, de vida exemplar.
           Nos lugares onde não há habitualmente um sacerdote, os ministros podem presidir a Celebração da Palavra. Nessas celebrações, feitas geralmente aos sábados a noite e aos domingos, os ministros distribuem a comunhão. Logicamente, as hóstias devem ser aquelas que foram consagradas previamente, quando um sacerdote rezou Missa na comunidade.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Viver bem a quaresma!




Neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação.” (2 Cor 6, 1-2).
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.
Na Quarta-Feira de Cinzas, quando ela começa, os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis na Missa. O sentido deste gesto é de lembrar que um dia a vida termina neste mundo, ”voltamos ao pó” que as cinzas lembram. Por causa do pecado, Deus disse a Adão: “És pó, e ao pó tu hás de tornar”. (Gênesis 2, 19)
Este sacramental da Igreja lembra-nos que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de verdade, sem fim, começa depois da morte; e que, portanto, devemos viver em função disso. As cinzas humildemente nos lembram que após a morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens, etc.
Esses quarenta dias, devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola (“remédios contra o pecado”). É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.
Na Oração da Missa de Cinzas a Igreja reza: “ Concedei-nos ó Deus todo poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma para que a penitência nos fortaleça contra o espírito do Mal.”
Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.
Quaresma é um tempo de “rever a vida” e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: “Vigiai e orai, porque o espírito é forte mas a carne é fraca”.
Embora este seja um tempo de oração e penitência mais profundas, não deve ser um tempo de tristeza, ao contrário, pois a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma.
Santo Agostinho dizia que “o pecador não suporta nem a si mesmo”, e que “os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria”. A verdadeira alegria brota no bojo da virtude, da graça; então, a Quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.
Para isso podemos fazer uma Confissão bem feita; o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22) dizendo-lhes: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Jesus quis que nos confessemos com o Sacerdote da Igreja, seu ministro, porque ele também é fraco e humano, e pode nos compreender, orientar e perdoar pela autoridade de Deus. Especialmente aqueles que há muito não se confessam, têm na Quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do Confessor e entregar a Cristo nele representado, as suas misérias.
Uma prática muito salutar que a Igreja nos recomenda durante a Quaresma, uma vez por semana, é fazer o exercício da Via Sacra, na igreja, recordando e meditando a Paixão de Cristo e todo o seu sofrimento para nos salvar. Isto aumenta em nós o amor a Jesus e aos outros.
Não podemos esquecer também que a Santa Missa é a prática de piedade mais importante da fé católica, e que dela devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário, o mesmo e único Calvário. Sim, não é a repetição do Calvário, nem apenas a sua “lembrança”, mas a sua “presentificação”; é a atualização do Sacrifício único de Jesus. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, “torna-se presente a nossa redenção”.
Assim podemos viver bem a Quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias; podendo ser melhor e viver melhor.





Prof. Felipe Aquino

sábado, 14 de janeiro de 2012

Homilia do Papa Bento XVI para os seminaristas na JMJ 2011 - Íntegra

Catedral de Santa Maria la Real de la Almudena di Madrid                  Sábado, 20 de Agosto de 2011


Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid,
Queridos Irmãos no Episcopado,
Queridos sacerdotes e religiosos,
Queridos reitores e formadores,
Queridos seminaristas,
Meus amigos!
            Sinto uma profunda alegria ao celebrar a Santa Missa para todos vós, que aspirais a ser sacerdotes de Cristo para o serviço da Igreja e dos homens, e agradeço as amáveis palavras de saudação com que me acolhestes. Hoje esta Catedral de Santa Maria a Real da Almudena lembra um imenso cenáculo onde o Senhor desejou ardentemente celebrar a Sua Pascoa com todos vós que um dia desejais presidir em seu nome os mistérios da salvação. Vendo-vos, comprovo de novo como Cristo continua chamando jovens discípulos para fazer deles seus apóstolos, permanecendo assim viva a missão da Igreja e a oferta do evangelho ao mundo. Como seminaristas, estais a caminho para uma meta santa: ser continuadores da missão que Cristo recebeu do Pai. Chamados por Ele, seguistes a sua voz; e, atraídos pelo seu olhar amoroso, avançais para o ministério sagrado. Ponde os vossos olhos n’Ele, que, pela sua encarnação, é o revelador supremo de Deus ao mundo e, pela sua ressurreição, é a fiel realização da sua promessa. Dai-Lhe graças por este sinal de predilecção que reserva para cada um de vós.
             A primeira leitura que escutámos mostra-nos Cristo como o novo e definitivo sacerdote, que fez uma oferta total da sua existência. A antífona do salmo aplica-se perfeitamente a Ele, quando, ao entrar no mundo, Se dirigiu a seu Pai dizendo: «Eis-me aqui para fazer a tua vontade» (cf. Sal 39, 8-9). Procurava agradar-Lhe em tudo: ao falar e ao agir, percorrendo os caminhos ou acolhendo os pecadores. A sua vida foi um serviço, e a sua dedicação abnegada uma intercessão perene, colocando-Se em nome de todos diante do Pai com Primogénito de muitos irmãos. O autor da Carta aos Hebreus afirma que, através desta entrega, nos tornou perfeitos para sempre, a nós que estávamos chamados a participar da sua filiação (cf. Heb 10, 14).
             A Eucaristia, de cuja instituição nos fala o evangelho proclamado (cf. Lc 22, 14-20), é a expressão real dessa entrega incondicional de Jesus por todos, incluindo aqueles que O entregavam: entrega do seu corpo e sangue para a vida dos homens e para a remissão dos pecados. O sangue, sinal da vida, foi-nos dado por Deus como aliança, a fim de podermos inserir a força da sua vida onde reina a morte por causa do nosso pecado, e assim destruí-lo. O corpo rasgado e o sangue derramado de Cristo, isto é, a sua liberdade sacrificada, converteram-se, através dos sinais eucarísticos, na nova fonte da liberdade redimida dos homens. N’Ele temos a promessa duma redenção definitiva e a esperança segura dos bens futuros. Por Cristo, sabemos que não estamos caminhando para o abismo, para o silêncio do nada ou da morte, mas seguindo para a terra prometida, para Ele que é nossa meta e também nosso princípio.
             Queridos amigos, vos preparais para ser apóstolos com Cristo e como Cristo, para ser companheiros de viagem e servidores dos homens. Como haveis de viver estes anos de preparação? Em primeiro lugar, devem ser anos de silêncio interior, de oração permanente, de estudo constante e de progressiva inserção nas actividades e estruturas pastorais da Igreja. Igreja, que é comunidade e instituição, família e missão, criação de Cristo pelo seu Espírito Santo e simultaneamente resultado de quanto a configuramos com a nossa santidade e com os nossos pecados. Assim o quis Deus, que não se incomoda de tomar pobres e pecadores para fazer deles seus amigos e instrumentos para redenção do género humano. A santidade da Igreja é, antes de mais nada, a santidade objectiva da própria pessoa de Cristo, do seu evangelho e dos seus sacramentos, a santidade daquela força do alto que a anima e impele. Nós devemos ser santos para não gerar uma contradição entre o sinal que somos e a realidade que queremos significar.
             Meditai bem este mistério da Igreja, vivendo os anos da vossa formação com profunda alegria, em atitude de docilidade, de lucidez e de radical fidelidade evangélica, bem como numa amorosa relação com o tempo e as pessoas no meio de quem viveis. É que ninguém escolhe o contexto nem os destinatários da sua missão. Cada época tem os seus problemas, mas Deus dá em cada tempo a graça oportuna para os assumir e superar com amor e realismo. Por isso, em toda e qualquer circunstância em que se encontre e por mais dura que esta seja, o sacerdote tem de frutificar em toda a espécie de boas obras, conservando sempre vivas no seu íntimo aquelas palavras do dia da sua Ordenação com que se lhe exortava a configurar a sua vida com o mistério da cruz do Senhor.
             Configurar-se com Cristo comporta, queridos seminaristas, identificar-se sempre mais com Aquele que por nós Se fez servo, sacerdote e vítima. Na realidade, configurar-se com Ele é a tarefa em que o sacerdote há-de gastar toda a sua vida. Já sabemos que nos ultrapassa e não a conseguiremos cumprir plenamente, mas, como diz São Paulo, corremos para a meta esperando alcançá-la (cf. Flp 3, 12-14).
            Mas Cristo, Sumo Sacerdote, é igualmente o Bom Pastor, que cuida das suas ovelhas até ao ponto de dar a vida por elas (cf. Jo 10, 11). Para imitar nisto também o Senhor, o vosso corações tem de ir amadurecendo no Seminário, colocando-se totalmente à disposição do Mestre. Dom do Espírito Santo, esta disponibilidade é que inspira a decisão de viver o celibato pelo Reino dos céus, o desprendimento dos bens da terra, a austeridade de vida e a obediência sincera e sem dissimulação.
            Pedi-Lhe, pois, que vos conceda imitá-Lo na sua caridade até ao fim para com todos, sem excluir os afastados e pecadores, de tal forma que, com a vossa ajuda, se convertam e voltem ao bom caminho. Pedi-Lhe que vos ensine a aproximar-vos dos enfermos e dos pobres, com simplicidade e generosidade. Afrontai este desafio sem complexos nem mediocridade, mas antes como uma forma estupenda de realizar a vida humana na gratuidade e no serviço, sendo testemunhas de Deus feito homem, mensageiros da dignidade altíssima da pessoa humana e, consequentemente, seus defensores incondicionais. Apoiados no seu amor, não vos deixeis amedrontar por um ambiente onde se pretende excluir Deus e no qual os principais critérios por que se rege a existência são, frequentemente, o poder, o ter ou o prazer. Pode acontecer que vos desprezem, como se costuma fazer com quem aponta metas mais altas ou desmascara os ídolos diante dos quais muito se prostram hoje. Será então que uma vida profundamente radicada em Cristo se revele realmente como uma novidade, atraindo com vigor a quantos verdadeiramente procuram Deus, a verdade e a justiça.
            Animados pelos vossos formadores, abri a vossa alma à luz do Senhor para ver se este caminho, que requer coragem e autenticidade, é o vosso, avançando para o sacerdócio só se estiverdes firmemente persuadidos de que Deus vos chama para ser seus ministros e plenamente decididos a exercê-lo obedecendo às disposições da Igreja.
            Com esta confiança, aprendei d’Aquele que Se definiu a Si mesmo como manso e humilde de coração, despojando-vos para isso de todo o desejo mundano, de modo que não busqueis o vosso próprio interesse, mas edifiqueis, com a vossa conduta, aos vossos irmãos, como fez o santo padroeiro do clero secular espanhol São João de Ávila. Animados pelo seu exemplo, olhai sobretudo para a Virgem Maria, Mãe dos sacerdotes. Ela saberá forjar a vossa alma segundo o modelo de Cristo, seu divino Filho, e vos ensinará incessantemente a guardar os bens que Ele adquiriu no Calvário para a salvação do mundo. Amem.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Amar não é fácil

Não se ama por ser fácil, ama-se porque é preciso!

           Se amar fosse fácil, não haveria tanta gente amando mal, nem tanta gente mal-amada.
Se amar fosse fácil, não haveria tanta fome, nem tantas guerras, nem gente sem sobrenome.
Se amar fosse fácil, não haveria crianças nas ruas sem ter ninguém, nem haveria orfanatos, porque as famílias serenas adotariam mais filhos, nem filhos mal concebidos, nem esposas mal-amadas, nem mixês, nem prostitutas. E nunca ninguém negaria o que jurou num altar, nem haveria divórcio, nem desquite, jamais...
           Se amar fosse tão fácil, não haveria assaltantes e as mulheres gestantes não tirariam seu feto, nem haveria assassinos, nem preços exorbitantes, nem os que ganham demais, nem os que ganham de menos.
           Se amar fosse tão fácil nem soldados haveria, pois ninguém agrediria, no máximo ajudariam no combate ao cão feroz. Mas o amor é sentimento que depende de um 'eu quero', seguido de um 'eu espero'; e a vontade é rebelde, o homem, um egoísta que maximiza seu 'eu' por isso, o amor é difícil.
           Jesus Cristo não brincava quando nos mandou amar. E quando morreu, amando, deu a suprema lição. Não se ama por ser fácil, ama-se porque é preciso!
Pe. José Fernandes de Oliveira - Pe. Zezinho, scj

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal, Festa da Misericórdia!


"Ora, enquanto lá estavam, chegou o dia em que ela devia dar à luz; ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na sala dos hóspedes.
Havia na mesma região pastores, que viviam nos campos e montavam guarda durante a noite junto a seu rebanho. Um anjo do Senhor se apresentou diante deles, a glória do Senhor os envolveu de luz e eles ficaram tomados de grande temor. O anjo lhes disse: ‘Não tenhais medo, pois eis que eu venho anunciar-vos uma boa nova, que será uma grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor; eis um sinal que vos é dado: achareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura’. De repente, apareceu uma multidão da milícia celeste que cantava os louvores de Deus e dizia: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus e sobre a terra paz para os seus bem-amados" (Lc 2,14).
A exaltação angélica manifesta paralelamente dois componentes singulares que o nascimento de Cristo proporcionou: glória a Deus e a paz aos seus bem-amados – nos céus e na terra. O nascimento de Jesus realiza a glória de Deus e a paz aos homens.
Essa glória manifesta o esplendor divino; é também o reconhecimento, por parte do homem, da bondade e da misericórdia divina, das maravilhas pelo Senhor realizadas em sua vida, da primazia de Deus sobre todas as coisas. É o verdadeiro entendimento de que Deus é Deus e de que o homem é criatura de Deus, limitada, fraca, pecadora, dependente dele; mas é também alvo da benevolência de Deus, é o bem-amado de Deus. O encontro com o Menino Deus gera a compreensão de que Deus se fez carne para trazer a salvação, impulsionado simplesmente pelo amor gratuito e profundo pelo homem.
A paz, também cantada pelo anjo, indica muito mais do que ausência de guerra e de conflitos humanos, mas "toda sorte de bens espiritual e físico: a felicidade perfeita, a salvação que o Messias viria dar, a plenitude da Paz. A verdadeira paz que não vem dos homens, mas vem de Deus" (Regras de Vida Shalom, 131). Jesus é a nossa paz. É Ele que nos reconcilia com Deus, através do perdão dos pecados, e derrama sobre nós o dom do Espírito de Deus.
Como o homem pode fazer essa experiência? O que pensar quando bem próximo do nascimento de Jesus um jovem entra num cinema com uma arma muito potente e dispara em direção à platéia vários tiros que levaram três jovens à morte? Que significado tem o Natal diante do crescimento assustador da violência? Que significado tem o Natal diante da morte de tantos homens, mulheres e crianças ocasionada pela fome? Será que não é ilusória a esperança de que aconteça a regeneração total do homem através do nascimento de Cristo? Não!!! Todas estas terríveis realidades revelam ainda mais que os homens precisam de Deus, precisam que Jesus nasça para trazer-lhes a salvação. Ao contrário do que muitos de nós pensa, os acontecimentos trágicos que os homens contemplam são sinais de que o mundo precisa de salvação, precisam de Jesus e é exatamente aí que o Natal se enche de significado. A vinda de Jesus ao mundo tem o objetivo principal que é libertação do homem de todo o mal e a reconciliação com Deus.
Como escreve o Cardeal Carlo Maria Martini (1999: pp.19-20): "O Natal não é um prêmio para o ser humano bom. É, sim, oferecer salvação a uma humanidade que, efetivamente, é má e que tem necessidade de sentir a urgente necessidade de mudar de caminho se não se conformar em perecer. Não, sozinho o ser humano não sabe o caminho da paz, somos novamente surpreendidos pelos gritos da violência... Em momentos como esse, a mensagem da salvação oferece ao homem humilhado e dividido, o chamado para a dignidade da pessoa que nos vem do nascimento de Jesus, em momentos assim, mais do que nunca, é necessário que um prudente otimismo não ceda lugar à descrença e ao desespero... Sem cessar, importa apontar para o homem um caminho que o guie para fora das suas vielas escuras para as quais quer arremessá-lo a sua desordem".
É exatamente "em um mundo marcado pelo pecado, que errou bastante acerca do conhecimento de Deus, onde reinam tantos males, o ocultismo, a não conservação da pureza nem na vida, nem no matrimônio, a impureza, o adultério, sangue, crime, roubo, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento da gratidão, impureza das almas, inversão sexual, desordens no casamento, despudor e etc, e ainda se diz em paz" (RVS 135), num mundo marcado pelo aborto, pelas drogas, pela ânsia de poder e de ter é que Deus olha os seus queridos, os seus bem-amados e envia seu Filho ao mundo para salvá-lo e Jesus amou tanto o mundo que morreu numa cruz por todos.
Deus vê a incredulidade, as guerras, as injustiças, as divisões, as discórdias, o indiferentismo religioso; vê as multidões exaustas e prostradas "como ovelhas sem pastor" (Mt 9,35) e seu coração se enche de compaixão dos seus queridos, dos seus bem-amados e se faz carne, habita entre os homens, "Ele que tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz" (Fil 2,6-8). O amor misericordioso de Deus é a mola que o impulsionou a vir ao mundo para salvá-lo. Quanto mais os homens manifestam a sua desordem, mais precisam do Pai compassivo, que o ama acima de todas as coisas, que o ama com amor eterno, pessoal, um amor que não coloca condições, um amor gratuito. O coração compassivo de Deus não deixou o homem a mercê de seus pecados, de suas fraquezas, dos seus sofrimentos, por isto o Natal é a festa da misericórdia de Deus. Como escreve Raniero Cantalamessa (1993: p.40): "O Natal é a suprema manifestação do amor de Deus: nele se manifestou a bondade de Deus e o seu amor pelos homens. Este é orvalho que no Natal se destilou dos céus, a doçura que choveu do alto".
Só compreende mistério do Natal quem mergulha o coração nele, com Jesus, quem não fica na superficialidade, nos presentes, nas guloseimas, mas penetra no íntimo do mistério: "A encarnação de Jesus, o nascimento de Jesus, realiza duas coisas muito importantes na vida dos homens, a primeira lhes enche de amor e a segunda, lhes dá a certeza de sua salvação. A caridade que ninguém pode compreender! O amor além do qual não existe amor maior: o meu Deus se fez carne para me fazer Deus! O amor desentranhado: destruíste-te para construir-me. O abismo do teu fazer-te homem arranca dos meus lábios palavras tão desentranhadas. Quando tu, Jesus, me fazes compreender que nasceste por mim, como é glorificante para mim compreender um tal fato!
(B. Angela de Foligno).

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Fé é acreditar naquilo que não se pode ver, tomar posse do impossível que ainda não aconteceu. A fé um dom do Divino Espírito Santo. Para tê-la não podemos levar em conta apenas a razão, pois este é um dom repleto de mistérios, é plena graça de Deus termos um coração confiante.
Precisamos aprender com Santa Terezinha do Menino Jesus a ter uma infância espiritual, a não ter medo de nos abandonar nos braços do Pai, ter confiança Nele e depender de Seu amor por nós. É preciso ter a certeza de que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,19).

Na Sagrada Escritura vemos inúmeras passagens que nos mostram o quanto será diferente quando tivermos uma fé viva; uma delas está em Mateus 17,20: “Em verdade vos digo: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha vai daqui para lá’ e ela irá. Nada vos será impossível”.
Lendo este versículo conseguimos ver como ainda somos homens e mulheres incrédulos. Jesus mesmo nos disse: “Homens de pouca fé”. Já estamos na reta final, chegamos a um ponto que não podemos mais desacreditar no poderio de nosso Senhor. Ele é o Deus dos milagres, e aquilo que é impossível aos humanos, não é impossível a Deus.
Muitas pessoas ainda acham que Jesus realizava milagres apenas no Seu tempo, quando ressuscitou Lázaro, fez Pedro andar sobre as águas, o cego enxergar e o paralítico andar; porém, não acreditam que Jesus realize milagres nos dias atuais, esqueceram que Ele é o mesmo de ontem, hoje e sempre. O que é impossível para Deus meus irmãos?
Hoje, o seu maior impossível é conseguir um emprego? Ter a graça de gerar uma vida? A conversão de uma pessoa que você tanto ama? A cura de um câncer? A reconciliação em seu matrimônio? Jesus mesmo proclamou: “Não te disse, que se creres, verás a glória de Deus? (Jo 11,40). Precisamos aprender a não duvidar das promessas de nosso Senhor; é necessário confiar cegamente em sua infinita misericórdia. Todos os dias de nossa vida nesta Terra serão de lutas, de desafios e sofrimentos, mas se acreditarmos que Jesus está no controle de tudo, que nenhum fio de nossa cabeça cai se Ele não permitir, sobreviveremos perante qualquer obstáculo e contemplaremos a vitória. Mas repito: precisamos depositar nossa fé em Deus!
“Precisamos aprender a não duvidar das promessas de nosso Senhor; é necessário confiar cegamente em sua infinita misericórdia”
Temos muitos sonhos impossíveis e desejos em nossos corações. No pensamento humano, algumas coisas que queremos são mais simples, como pedir a Deus para sermos pessoas melhores ou, então, ter um bom dia de trabalho. Já a cura de uma doença ou a conversão de um ateu, pensamos serem coisas mais difíceis de conquistar. Porém, hoje eu quero lhe dizer que para Deus não existe milagre mais fácil ou mais difícil, porque Ele pode realizar qualquer coisa, a qualquer hora.
Contudo, a verdadeira e autêntica fé não para por aí. Se Deus não nos conceder o que pedimos, não é porque Ele nos abandonou. Uma fé viva é, principalmente, quando não recebemos d’Ele o que pedimos, mas nossa confiança em Sua divina providência não se abala; permanecemos cheios de esperança. Deus é tão bondoso e sábio que não nos concede tudo o que Lhe pedimos, pois nem tudo o que queremos é o melhor para nós. Muitas vezes não compreendemos, mas precisamos acreditar que os pensamentos de Deus são muito mais altos que os nossos”.
Não há outro jeito. Precisamos esperar no Senhor, sofrer Suas demoras na certeza de que quem espera em Deus não é decepcionado.
Uma pessoa de fé tem ânimo mesmo em meio às dificuldades e angústias do dia a dia. Sabe por quê? Porque ela entendeu que, nesta Terra, não iremos ser plenamente realizados, mas apenas no Céu, onde contemplaremos a face de nosso Criador e chegaremos ao pico da felicidade, pois, enfim, alcançaremos a Vida Eterna!
Por isso, quando percebermos que estamos com a fé abalada, supliquemos ao Pai: “Meu Senhor e meu Deus, eu creio, mas aumente a minha fé”, com consciência de que quem diz isso ao Senhor está pedindo mais oportunidades de praticar a fé. Aprenda a exercitar sua fé nas pequenas coisas, acredite que o Senhor nunca sairá do seu lado e o ajudará em tudo o que você fizer.
“Depois disse a Tomé: introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé” (Jo 20,27).Roguemos a Deus para que não sejamos iguais a Tomé, que precisou colocar o dedo no lado aberto para acreditar que era Jesus ressuscitado. Tenhamos a graça de acreditar sem mesmo ver ou tocar!
Jesus tem maravilhas a realizar em sua vida, basta você confiar e saber esperar!Que o Pai das misericórdias nos ajude a sermos homens e mulheres entregues à fé que é viva e que se renova todos os dias!
Jesus, eu confio em Vós!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Advento, a realização e confirmação da Aliança

É uma trajetória que passa pela fidelidade a Deus e ao próximo

            Começamos novo Ano Litúrgico e um novo ciclo da liturgia com o Advento, tempo de preparação para o nascimento de Jesus Cristo no Natal. É hora de renovação das esperanças, com a advertência do próprio Cristo, quando diz: “Vigiai!”, para não sermos surpreendidos.
            A chegada do Natal, preparado pelo ciclo do Advento, é a realização e confirmação da Aliança anunciada no passado pelos profetas. É a Aliança do amor realizada plenamente em Jesus Cristo e na vida de todos aqueles que praticam a justiça e confiam na Palavra de Deus.
            Estamos em tempo de educação de nossa fé, quando Deus se apresenta como oleiro, que trabalha o barro, dando a ele formas diversas. Nós somos como argila, que deve ser transformada conforme a vontade do oleiro. É a ação de Deus em nossa vida, transformando-a de Seu jeito.
            Neste caminho de mudanças, Deus nos deu diversos dons conforme as possibilidades de cada um. E somos conduzidos pelas exigências da Palavra de Deus. É uma trajetória que passa pela fidelidade ao Todo-poderoso e ao próximo, porque ninguém ama a Deus não amando também o seu irmão.
            O Advento é convocação para a vigilância. A vida pode ser cheia de surpresas e a morte chegar quando não esperamos. Por isso é muito importante estar diuturnamente acordado e preparado, conseguindo distanciar-se das propostas de um mundo totalmente afastado de Deus.
            Outro fato é não desanimar diante dos tipos de dificuldades e de motivações que aparecem diante nós. Estamos numa cultura de disputa por poder, de ocupar os primeiros lugares sem ser vigilantes na prestação de serviço. Quem serve, disse Jesus, é “servo vigilante”.
            Confiar significa ter a sensação de não estar abandonado por Deus. Com isso, no Advento vamos sendo moldados para acolher Jesus no Natal como verdadeiro Deus. Aquele que nos convoca a abandonar o egoísmo e seguir Jesus Cristo.
           Preparar-se para o Natal já é ter a sensação das festas de fim de ano. Não sejamos enganados pelas propostas atraentes do consumismo. O foco principal é Jesus Cristo como ação divina em todo o mundo.


Saiba mais sobre o Advento
Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sexo: Na visão cristã, ele não é como hoje muitos querem fazer crer!

           Há, felizmente, mais de 600 sites católicos na Internet e grande é a oportunidade para se responder às inúmeras questões sobre a religião, filosofia e história.
          Por outro lado, percebe-se um profundo desconhecimento da Bíblia Sagrada, pois algumas questões, se o Livro Santo fosse lido, relido, estudado, não seriam colocadas. Um
a delas é onde está escrito, na Bíblia, que não se pode usar o sexo fora do casamento. Esquecem-se de que os mandamentos dados pelo próprio Deus a Moisés são a vereda da libertação. Entre eles estão o sexto e o nono mandamentos: 'Não pecar contra a castidade' e 'Não desejar a mulher do próximo' (cf. Ex 20,2-17; Deut 5,6-21).
           Jesus, em inúmeras passagens de Sua pregação, urgiu o cumprimento destes preceitos; é só ler com atenção o Evangelho. Isto foi muito bem entendido, tanto que diz São Paulo: 'Nem os impudicos, nem idólatras, nem adúlteros, nem depravados, nem de costumes infames, nem ladrões, nem cobiçosos, como também beberrões, difamadores ou gananciosos terão por herança o Reino de Deus (lCor 6,9; Rom 1l,24-27). O Apóstolo condena a prostituição (1Cor 6,13ss, 10,8; 2Cor 12,21; Col 3,5). É preciso, de fato, sempre evitar os desvarios da carne. O corpo do cristão, criado pelo Ser Supremo e informado por uma alma espiritual, é santificado, consagrado ao Senhor pelos sacramentos, sobretudo, pelo batismo, confirmação e sagrada comunhão.
            O batizado é membro do corpo místico de Cristo, pois o corpo é santuário de Deus que habita nele pela graça batismal. Cumpre, então, ao discípulo de Jesus conservar o seu corpo em pureza e santidade. O corpo humano é, realmente, uma das obras mais extraordinárias de Deus. Nele, tudo é bom e valioso. Nele, não existe nada que seja desprezível ou pecaminoso. Além de todas as maravilhas que encantam os cientistas, este corpo é, de fato, o Templo do Espírito Santo (1Cor 3,16s; 2Cor 6,16). Cristo foi claro: 'Se alguém me ama, meu Pai o amará. Viremos a Ele e faremos n'Ele nossa morada' (Jo 14,23).
            Ora, guardar castidade significa fazer um reto uso das faculdades sexuais que Deus colocou no nosso corpo. A castidade é uma atitude correta diante do sexo, ou seja, conservar e usar as forças do sexo dentro do plano de Deus. Para isto é mister perceber qual é o sentido profundo e valor exato da sexualidade. Deus preceituou que o homem deixaria o pai e a mãe e se uniria à sua mulher, formando uma só carne (Gên 2,24). Ele havia dito: 'Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliar igual a ele (Gen. 2,18). O Criador abençoou Noé e seus filhos e lhes ordenou: 'Sede fecundos, multiplicai, enchei a terra'(Gên. 9,1).
            O sexo está destinado, portanto, à união e ao crescimento no amor, possibilitando a criação de uma nova vida humana. Na visão cristã, o sexo não é como hoje muitos querem fazer crer, algo que se possa usar fora dos planos divinos. Ele foi feito para o matrimônio e o matrimônio foi elevado à sua prístina dignidade por Jesus Cristo, como está claríssimo no Evangelho (Mt 5,32).  
             Jesus proclamou: 'Bem-aventurados os puros, porque eles verão a Deus'. Muitos, felizmente, são os jovens que, imbuídos do Espírito Santo, se conservam puros até o dia do casamento, apesar de toda esta onda de erotismo que envolve, infelizmente, o mundo de hoje.

Felipe Aquino

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nossa vida é a vinha do Senhor!


            O texto de Mt 21,33-43 nos conta a história de um proprietário de terras que desejou cuidar de seus campos. Cuidou deles da melhor maneira que pôde. Mas teve de viajar e os trabalhadores que deixou como responsáveis pela vinha acharam que eram donos. Quiseram ficar com os frutos. A tal ponto que, quando o senhor enviou seus criados para buscarem a colheita, mataram-nos. Atreveram-se a matar até mesmo o seu filho. O senhor desgostou-se e com razão.
           A parábola da vinha tem todas as características de uma alegoria. Cada elemento tem um significado: Deus é o proprietário; a vinha é Israel; os servos são os profetas; os administradores são os judeus infiéis; os outros vinhateiros são os pagãos e os pecadores; o filho é Jesus.
            A parábola mostra ainda uma violência constante e crescente contra os que Deus enviou como seus mensageiros, uns foram espancados, outros mortos, outros ainda apedrejados.
           Se olharmos para nossas vidas, perceberemos que a vida da humanidade, nossa família e nossa vida é a vinha do Senhor. Ele a criou e cuidou dela com amor. E a colocou em nossas mãos. Somos responsáveis pela colheita, por viver a nossa vida de maneira fraterna, no amor, na compreensão e na justiça. O fruto que Deus quer é a vida do homem, é a nossa vida. Não somos donos dela. É um presente dado por Deus, que nos pede para cuidar dele com amor e que o façamos crescer em liberdade e fraternidade.
            Peçamos ao Senhor que não nos abandone e que não seja como o senhor daquela terra que teve de partir e deixar os trabalhadores sozinhos, para que não caiamos na tentação de pensar que a vida é nossa. Para que todas as manhãs saibamos erguer os olhos para o Senhor, ao começar o dia e, dessa forma, reconhecê-lo como nosso Deus e Criador e lhe digamos que persistiremos trabalhando na sua vinha para tornar o mundo um lugar mais justo, mais humano e mais fraterno.

Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Jesus se identifica com o semeador", destaca Bento XVI na oração do Angelus do último domingo.

            Na oração do Angelus deste domingo, 10, no pátio interno da residência pontifícia de Castel Gandolfo, o papa Bento XVI refletiu a parábola do Semeador. "Jesus se identifica com o semeador, que espalha a boa semente da Palavra de Deus e percebe seus vários efeitos, segundo o tipo de acolhimento ao anúncio", disse o pontífice.
"            Existe aquele que escuta superficialmente a Palavra, mas não a acolhe; aquele que a acolhe, mas não tem constância e perde tudo; aquele que é tomado pelas preocupações e seduções do mundo; e aquele que escuta de forma receptiva como a terra boa: aqui a Palavra dá fruto em abundância" – frisou Bento XVI.
            O mesmo Evangelho deste domingo insiste também no método da pregação de Jesus, ou seja, o uso das parábolas. Porque lhes falas em parábola?, perguntam os discípulos e Jesus responde fazendo a distinção entre eles e a multidão: "aos discípulos, ou seja, aqueles que já optaram por Ele, Jesus pode falar do Reino de Deus abertamente, aos outros, deve anunciá-lo em parábolas, para incentivar a decisão, a conversão do coração.
            As parábolas, por sua natureza pedem um esforço de interpretação, interpelam a mente e a liberdade. No fundo, a verdadeira Parábola de Deus é Jesus, a sua Pessoa que através da humanidade, esconde e ao mesmo tempo revela a divindade. Deste modo Deus não nos obriga a crer Nele, mas nos atrai a Si com a verdade e a bondade de seu Filho encarnado: de fato, o amor respeita sempre a liberdade".
            "Devemos aprender com o grande Patriarca do monaquismo ocidental a dar a Deus o lugar que Lhe cabe, o primeiro lugar, oferecendo a Ele, com a oração da manhã e da noite, as atividades cotidianas", concluiu o papa.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Série "Ser Católico" - Parte 2

Ser Católico é crer em Deus Pai, Filho e Espírito Santo        
       
            Crer é uma resposta obediente, consciente e livre ao apelo de Deus que se revela por amor. Por ser resposta a um apelo, o ato de fé - crer - é base e, ao mesmo tempo, expressão da relação da pessoa, que crê, com Deus que a interpela por amor. É por esse motivo que ao crer, a pessoa realiza o ato mais significativo de sua existência, alcançando a certeza da Verdade e decidindo viver nela (cf. FR 13), ainda que tal certeza não deva ser confundida com uma certeza calculada pela razão. A fé é adesão da vontade e da inteligência à revelação feita por Jesus Cristo, não enquanto apreensão de uma idéia, mas enquanto fruto de uma experiência e de uma existência vivida na relação com Senhor e na obediência à sua vontade.
            É por esse motivo que bem sintetiza o autor da carta aos Hebreus: "A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem" (Hb 11,1); e, também, São Paulo: "caminhamos por meio da fé e não por meio da visão" (2Cor 5,7). Por não se tratar da compreensão de algo que se vê, a fé deve ser compreendida, sobretudo, como adesão ao mistério de Jesus que, com toda a sua vida, revela o rosto do Pai, revelando seus segredos de amor. Penetrar com profundidade este mistério de amor, significa permitir ser preenchido por esta graça que transforma e redime: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo" (Ap 3,20).
            Ser católico é, portanto, crer. Crer em Deus Pai Filho e Espírito Santo a quem nos referimos como a Santíssima Trindade, o mesmo Deus revelado em três pessoas distintas. Ao Pai nos referimos como o Criador, pois por meio de seu amor, criou tudo que existe. Ao filho nos referimos como o Redentor, pois por sua vida, morte e ressurreição fomos resgatados e redimidos do pecado e de todo o mal. Ao Espírito Santo nos referimos como o Santificador, pois ele constrói, anima e santifica a Igreja. Com a sua efusão no dia de Pentecostes é revelada plenamente a Santíssima Trindade (cf. CIC 732).
            Nosso Deus, que é Trindade, é família e nós somos chamados, como membros da Igreja Católica, a fazer parte desta família, a partir do momento em que recebemos o Batismo em nome do Pai, Filho e do Espírito Santo. Ao participarmos da comunidade eclesial, Jesus, Verbo feito homem, continua revelando-nos, hoje, como revelou aos seus apóstolos, o amor do Pai e a graça do Espírito.

sábado, 2 de julho de 2011

Série "Ser Católico" - Parte 1

               Ser Católico é alimentar a fé na fonte da Revelação divina (sagrada Escritura e Tradição) que é esclarecida pelo Magistério da Igreja.
             A fé católica tem sua origem na Revelação divina que se expressa por meio da Sagrada Escritura e da Tradição.
             Por Sagrada Escritura entendemos os 46 livros do Antigo Testamento e os 27 do Novo Testamento, compreendidos como sagrados e inspirados. Eles contêm a Palavra revelada de Deus e são alimento para a nossa fé e conforto espiritual para a nossa caminhada. Alimento e conforto, pois a Palavra não somente nos auxilia quando dela necessitamos ara a evangelização de outras pessoas. De fato, quando e lemos, nós somos os primeiros a sermos evangelizados.
            Por tradição, palavra que significa transmissão, entendemos o processo e o conteúdo da transmissão da Verdade Revelada, proveniente primeiramente do anuncio dos portadores originais da revelação cristã, Jesus Cristo e os apóstolos, continuada, posteriormente, na Igreja, por obra do Espírito Santo.
            Por Magistério da igreja, a palavra magistério significa ensinamento, entendemos o ensinamento do colégio dos Bispos em comunhão com o Papa, bispo de Roma e sucessor de São Pedro, que em nome de Jesus Cristo têm a autoridade de interpretar autenticamente a Palavra de deus, escrita (sagrada Escritura) ou transmitida (tradição) (cf. DV 10). Além disso, o Magistério da Igreja, assistido pelo Espírito Santo, nos orienta, de modo seguro, na vivência de nossa fé, na alegria da esperança e da caridade. Ajuda- nos a compreender que nossa fé não é simplesmente subjetiva e individual. Ela é comunitária, não só por ser partilhada com os outros e vivida em união com eles, mas também por ser dom do Espírito Santo, concedido a todos os que a professam e dão testemunho de Jesus Cristo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A procissão do Corpo de Deus

O nosso Deus decidiu ficar no sacrário para nos alimentar

            O nosso Deus decidiu ficar no sacrário para nos alimentar, para nos fortalecer, para nos divinizar, para dar eficácia ao nosso trabalho e ao nosso esforço. Jesus é simultaneamente o semeador, a semente e o fruto da sementeira: o Pão da vida eterna.
           "Meditamos juntos a profundidade do Amor do Senhor, que o levou a ficar oculto sob das espécies sacramentais, e é como se ouvíssemos, fisicamente, aqueles seus ensinamentos à multidão.
            Agradar-me-ia que, ao considerar tudo isso, tomássemos consciência da nossa missão de cristãos, voltássemos os olhos para a Sagrada Eucaristia, para Jesus que, presente entre nós, nos constituiu seus membros: vos estis corpus Christi et membra de membro (I Cor 12, 27), vós sois o corpo de Cristo e membros unidos a outros membros.
            Este milagre, continuamente renovado, da Sagrada Eucaristia, encerra todas as características do modo de agir de Jesus. Perfeito Deus e perfeito homem, Senhor dos céus e da terra, oferece-Se-nos como sustento, da maneira mais natural e corrente.
Assim espera o nosso amor, desde há mais de dois mil anos. É muito tempo e não é muito tempo; porque, quando há amor, os dias voam.
           A procissão do Corpo de Deus torna Cristo presente nas aldeias e cidades do mundo. Mas essa presença, repito, não deve ser coisa de um dia, ruído que se ouve e se esquece. Essa passagem de Jesus lembra-nos que temos também de descobri-Lo nos nossos afazeres cotidianos.
           A par da procissão solene desta quinta-feira deve ir a procissão silenciosa e simples da vida corrente de cada cristão, homem entre os homens, mas com a felicidade de ter recebido a fé e a missão divina de se comportar de tal modo que renove a mensagem do Senhor sobre a terra.

           Não nos faltam erros, misérias, pecados. Mas Deus está com os homens, e temos de nos dispor a que se sirva de nós e se torne contínua a Sua passagem entre as criaturas.


 (Trecho extraído do livro "Cristo que passa", 151).

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Credo Niceno-Constantinopolitano

            O Símbolo denominado niceno-constantinopolitano tem sua grande autoridade no fato de ter resultado dos dois primeiros Concílios ecumênicos (325 e 381). Ainda hoje ele é comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente.”(CIC§ 195) 
            O Credo Niceno-Constantinopolitano ou Símbolo Niceno-Constantinopolitano, é uma declaração de fé cristã que é aceito pela Igreja Católica e pela Igreja Ortodoxa. O nome está relacionado com o Primeiro Concílio de Niceia (325), no qual foi adotado, e com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), onde foi aceita uma versão revista. Por esse motivo, ele pode ser referido especificamente como o Credo Niceno-Constantinopolitano para o distinguir tanto da versão de 325 como de versões posteriores que incluem a cláusula filioqueHouve vários outros credos elaborados em reação a doutrinas que apareceram posteriormente como heresias, mas este, na sua revisão de 381, foi o último em que as comunhões católica e ortodoxa conseguiram concordar em todos os pontos.
           A principal razão para a convocação do Primeiro Concílio Ecumênico foi o surgimento e fortalecimento do falso ensino do presbítero alexandrino Ário.
A teoria básica deste falso ensino dos arianos é "que o Filho de Deus fora criado, que Sua existência teve um começo”.
          Já o Segundo Concílio Ecumênico condenou o falso ensino dos denominados Pneumatomacos (ou, adversários do Espírito) cujo principal representante foi Macedônio, Arcebispo de Constantinopla.
Este considerava o Espírito Santo como um servo de Deus e cumpridor de Sua vontade, em algo próximo de como se considera os Anjos. Daí que esta heresia não reconhecia O Espírito Santo como uma hipóstase( Pessoa) da Santíssima Trindade.
           A Santa Igreja exerceu posição firme para proteger a pureza da doutrina e fé ortodoxa, estabelecendo as verdades básicas da doutrina cristã preservadas no Credo, que é um guia constante para todos os cristãos ortodoxos em sua vida espiritual.
           O Credo está dividido em doze partes, das quais sete foram formuladas no Primeiro Concílio Ecumênico, e as outras cinco no Segund
o.

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado não criado,
consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E, por nós, homens, e para a nossa salvação,
desceu dos céus:
e encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado
sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as escrituras;
E subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
E de novo há de vir, em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai;
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
Professo um só batismo
para remissão dos pecados.
Espero a ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo que há de vir.
Amém.